• Camila Mabeloop

6 meses fora de uma empresa: expectativas e realidades

Em outubro de 2018 tomei uma decisão que eu não fazia ideia no que ia dar.

Não que agora eu já saiba, não crie essa expectativa.


Na verdade foi um pouco antes de outubro, mas foi naquele mês que eu realmente saí da empresa que eu estava. Creio que ninguém aqui vai duvidar que tudo é uma grande loucura. Às vezes acho que estou indo no caminho certo, outras vezes fico pensando: “que merda é essa que estou fazendo da minha vida. Cadê minha mãe que não me impediu de cometer esses erros”.

Acontece. Mas continuo seguindo e tentando.


Hora penso que já encontrei meu propósito de vida, outra hora ainda tenho dúvida sobre isso. Mas, vou seguindo fazendo minha grana. Um dia uma amiga minha (oi, Nat) comentou sobre esse texto que fala sobre como nós romantizamos também essa história de trabalhar só com o que ama. Tem hora que a gente precisa trabalhar por trabalhar mesmo.


Eu amo o que eu faço hoje. Mas tem dias que sim, dá vontade de jogar tudo para o alto e ir tomar sol em uma praia do Rio de Janeiro. Quem nunca?


Então tenho esses dias, de trabalhar só por trabalhar mesmo e ter dinheiro para pagar minhas contas no fim do mês. Mas em alguns dias eu fico TÃO feliz e agradecida pela Camila do passado que teve a cara de pau de falar que não ia continuar no emprego porque ela não achava que estava ganhando o suficiente.


(Parênteses para reconhecer meu privilégio de poder largar tudo, pois meu alimento não dependia desse emprego.)


Fazendo umas contas por cima, acredito que, só agora eu superei os ganhos do meu trabalho anterior. Somando tudo: vale transporte, vale refeição, vale alimentação, convênio e salário bruto. O salário líquido eu superei antes mesmo de sair, fazendo alguns freelas.


Demorou seis meses. E não sei se vai continuar no próximo.


Mas, apesar da grana importar muito, eu já havia comentado nesse artigo que, eu também não sentia que estava aprendendo tanto. Então, o cara lá de cima ouviu essa reclamação e jogou em mim um milhão de desafios nesses últimos meses.


Eu tive que aprender a negociar, precificar meu trabalho, elaborar contrato, cobrar os pagamentos, emitir nota fiscal, ensinar outras pessoas, gerenciar melhor meu tempo, negar fazer coisas que me pediam fora do combinado. Aliás, isso foi uma das coisas mais difíceis, porque quando você está em uma empresa, você apenas obedece seus chefes. Ninguém te prepara para dizer não.


Enfim, uma caralhada de coisas que eu fui forçada a sair da minha zona de conforto de posts para redes sociais e textos para blogs para conseguir entregar esses produtos.


Entretanto, ainda me perguntam: você não sente falta de trabalhar fora?


Sendo bem sincera: não. Pelo menos não ainda.


As pessoas costumam dizer que em uma empresa você tem a segurança e estabilidade. Mas eu nunca me senti segura e muito menos estável: eu poderia ser demitida a qualquer momento. E enquanto não era, os trabalhos sempre aumentavam. Por aqui, se o trabalho aumenta, o dinheiro aumenta junto. E se o cliente não continuar? De fato, diminui meu orçamento, mas transfiro a energia para outro projeto e quem sabe ele traga frutos futuramente.


Mas tenho várias vantagens na manga. Por exemplo, eu moro em Ferraz de Vasconcelos e trabalhei em empresas na Vila Madalena e Perdizes. Eu gastava 2 horas para chegar até elas. Eram 4 horas por dia de transporte. O horário que eu chegava em casa já não tinha médico disponível para agendar, nem salão de beleza, nem força suficiente para gastar em academia (só quem anda nos trens cheios da CPTM sabe como nossa energia é sugada). Minha saúde física e mental? Uma merda.


Nesses seis meses eu consegui voltar a ir em médicos, fazer uns exames, e corrigir o que estava de errado. Tenho conseguido fazer exercícios físicos, finalmente indo regularmente ao Muay Thai. Parei de comer tanta besteira (ok, isso era culpa minha, mas vocês já viram o tanto de lanches gostosos que tem pela Vila Madalena?). Além da vantagem claro de conseguir conviver mais com a minha família, dormir 8h por dia — na maioria dos dias —, ter mais tempo para mim e não precisar ver aquele colega de trabalho machista e insuportável todos os dias (desculpa a sinceridade, mas é uma grande vantagem para ser ignorada).


Claro, freelancer e empreendedor geralmente trabalham dobrado. E sim, eu tenho trabalhado mais do que eu imaginaria. Pensei que em alguns dias eu só iria assistir séries, mas não tem sido bem assim. Ainda bem. Apesar do título ser "6 meses fora de uma empresa" eu abri a minha própria. E cada hora surge uma novidade.


Sinto que estou fazendo algo melhor do que uma faculdade ou pós-graduação. Aprendo algo novo todos os dias. Estudo muito, trabalho muito, surto muito e aproveito muito também.

Enfim, é isso. Uma montanha-russa em que há dias felizes, confusos e neutros. Mais um artigo sem nenhuma resposta e conselhos certeiros, mas a vida real é assim. Por enquanto meu foco é seguir o conselho da Dory: “continue a nadar”. Uma hora a gente chega em algum lugar. Por enquanto só posso agradecer por poder continuar tentando.

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