• Camila Mabeloop

Jornalista, e agora? Um ano formada em jornalismo!

Atualizado: 9 de Jul de 2019

Em junho fez um ano que me formei em comunicação social, com habilitação em jornalismo. Minha relação com o jornalismo é muito louca. Por isso mesmo, acredito que vale a pena escrever um pouco sobre isso.


Aos meus 16 anos eu tinha certeza absoluta que queria fazer jornalismo. Meu primeiro blog eu criei uns dois anos antes, aos 14, e botei na cabeça que ia trabalhar com as palavras. Eu mesma que neste momento não tô me importando muito com a norma culta, como você pode perceber. Quero só botar os sentimentos pra fora mesmo, me desculpem os jornalistas que estiverem por aqui. Seus olhos talvez sangrem um pouco.


Voltando ao assunto, eu já havia criado vários blogs e de temas diferentes. De moda, beleza, crônicas, variedades, cultura, um que misturava tudo… e aí, lendo um guia de profissões do Guia do Estudante vi que o que ia rolar mesmo era isso. Eu ia poder trabalhar escrevendo.


Acontece que no meio dessa confusão que é terminar escola, fazer curso técnico, e ter que batalhar por uma pensão alimentícia na justiça (detalhe importante que acabou me pressionando para eu decidir antes do que eu imaginava), acabei indo fazer Rádio e TV. Na época achava que ia poder escrever mais que em jornalismo, fazer mais parte dos bastidores e produção. Só depois de dois semestres eu percebi a merda que eu tinha feito (pra mim). Estava em curso que não me deixava fazer nada sozinha. Tudo em grupo. Gravações, edições, aparições… um curso feito zero para pessoas tímidas.


Felizmente fui criada para aceitar os erros e recomeçar. Larguei o curso e comecei jornalismo. Mudei também de faculdade e acabei não conseguindo eliminar matérias porque a carga horária das aulas eram diferentes. Mas isso não me abalou, não.


Logo no primeiro semestre eu vi que estava no lugar certo. Não duvidei mais, pelo menos não que eu me lembre.


Eu amei a maior parte das aulas, ou pelo menos a metade, vai. Estudei numa faculdade considerada bem meia boca pela elite paulistana (FIAM-FAAM), mas eu tive uma sorte danada de encontrar professores incríveis lá. E era o que dava pra pagar na época com a pensão. Depois nem dava mais e comecei a correr atrás de estágio para suprir essa necessidade também.


E foi aí que eu comecei a trabalhar com marketing. E nunca mais parei. Esse “nunca mais” pareceu longo demais, mas faz apenas um pouco mais de dois anos, quase três.

É louco pensar que eu não tenho experiência direta em jornalismo. Foram quatro anos de curso. Muitas provas, trabalhos, livros, filmes… mais de 50 mil reais investidos. E eu nem sequer trabalho na área.


Mas de verdade, zero arrependimentos. Eu amo ser jornalista.


Eu aprendi tanto nesses quatro anos. O jornalismo me transformou como pessoa e com certeza garantiu que eu me tornasse uma profissional que se preocupa com a qualidade. Foi na sala de aula que eu consegui desenvolver meu pensamento crítico, compreender a importância de tantas coisas e me conectar com meu lado mais social. A galera de humanas é muito incrível!


Eu tive uma aula durante todo o curso que falava sobre convergência de mídias e outra sobre jornalismo digital, foram as aulas que eu mais gostei de botar a mão na massa. A de revista eu me irritei um pouco, mas também curti o resultado. Revista é incrível, né? Meu maior sonho era trabalhar na Capricho, mas o rumo até aqui está sendo um pouco diferente do que o esperado.


Mas calma lá que eu já estou me perdendo no objetivo do texto. Bom, só tive essas duas aulas com foco em digital e foi suficiente para perceber que eu já estava sendo a minha versão de jornalista quando estava fazendo meus blogs sozinha em casa.


Eu sempre me preocupei com qualidade do texto, com linguagem adaptada para cada tipo de público, com conteúdo informativo, correção, revisão… e continuo assim até hoje.




MAS E O MERCADO DE TRABALHO? E SUA CARREIRA?”


Vendo de fora, já que não estou na área, parece que as coisas estão um tanto complicadas, mas também não sei que área que não está, não é mesmo?


Após exatamente um ano de formada, eu nunca trabalhei em uma redação. Desde que comecei no meu primeiro estágio, em que basicamente era com foco em redação publicitária, não saí mais. Fiquei um tempo, mudei para outra empresa em que fazia as redes sociais e assessoria de imprensa, e aí eu saí correndo porque uma certeza eu tenho é: não nasci pra assessoria. E logo tive a oportunidade de trabalhar com marketing de conteúdo. Trabalhei em uma editora de livros, que era uma dos meus sonhos, e aprendi a gostar muito de criar conteúdo para outras pessoas. Na época que parei de fazer blog, o que eu não queria mais era me expor. Mas fazer isso por outras pessoas e empresas foi e está sendo ótimo.


Foi aí que decidi que poderia voltar para onde eu criava antes: meu quarto. Mesmo porque o salário de estagiária para analista de conteúdo, na época, continuou o mesmo e não compensava. E cá estou eu fazendo isso de forma independente há 9/10 meses. E, na maioria dos dias, tem dado certo.


Mas voltando para o jornalismo, quem já lidou com os dois mundos, JO e MKT, sabe que eles até conversam, mas brigam horrores. Até para escrever títulos é uma treta danada. Minha orientadora do TCC não aguentava meu lado de marqueteira querendo atacar na pele da jornalista. Até hoje ela me corrige quando falo “jobs”, “freelas” e outros jargões da galera de publicidade. Mas aqui dentro os dois se misturam.


Gosto bastante de trabalhar com marketing, não sei por quanto tempo isso vai durar, mas tomo o cuidado para tentar sempre me colocar na posição de jornalista que sou. Me preocupo em me certificar das fontes, da credibilidade das minhas referências, em informar ou entregar algo útil em cada post de rede social ou blog que escrevo. O máximo que posso. Sabemos que o modelo de jornalismo hoje está bem diferente também, e que há diversas formas de se atuar como jornalista. E isso foi um dos motivos que fizeram com que eu continuasse os quatro anos no curso, saber da variedade de coisas que poderia fazer no futuro.


Não me arrependo de ter escolhido jornalismo. O coração continua batendo forte por essa profissão que tanto admiro e tenho orgulho de ter me formado. Por enquanto estamos um pouco distantes, mas nos visitamos com frequência. E pode ser que isso seja cada dia mais intenso, ou não, só o tempo nos dirá.


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E você, é formado em quê e em qual área está trabalhando? Deixa aqui nos comentários pra gente se conhecer melhor.

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